Travessia da Serra Fina: Toca do Lobo ao Capim Amarelo

19 de abril de 2017

O meu grande medo da Serra Fina

E chegou o grande dia! Desde muito tempo queria fazer a Travessia da Serra Fina, mas as dificuldades dessa trilha me faziam questionar se eu seria capaz. Capaz de levar minha mochila com 20 quilos, entre eles: água, comida, barraca, por cerca de 30 km entre subidas e descidas. Capaz de suportar subidas fortes e trechos de 8 km em 8 horas ou mais. Capaz de sentir prazer nos 4 dias de travessia (ação que acho essencial para quem pratica montanhismo, pois sem prazer nada vale a pena…).

Agora que tudo acabou, vejo que sim, eu estava preparada! Inclusive houve até uma provação a mais: chuva intensa no último dia… Mas fui forte e consegui! Talvez não tenha sido a trilha mais difícil que fiz, mas com certeza foi a mais dura e cansativa. Não é técnica, mas exige intenso esforço físico. Vamos lá para o relato?

Passa Quatro MG

Chegamos em Passa Quatro um dia antes do início da travessia e ficamos no Abrigo de Montanha do Guto Guia, nosso amigo desde o Trekking do Descobrimento que fizemos em 2013. No dia seguinte um carro ( a Toyota do Edinho) nos levou até a entrada da trilha.

Toca do Lobo

Chegamos na entrada da trilha as 8 horas da manhã com a equipe ótima do Gerson Expedições. O grupo formado era bem heterogêneo, mas todos com pique para passar os próximos 4 dias no encanto da montanha. Na Toca do Lobo enchemos nossas garrafas, pois não haveria mais pontos de água até o final do dia.

Quartzito

O dia estava nublado, com cerração baixa e por isso não se podia apreciar muito a paisagem. Mas confesso que gostei do tempo, pois fazer essa subida sob sol seria muito mais duro e com certeza eu consumiria muito mais água. A trilha de hoje tem só subida! Ora mais leve, ora mais pesada, mas sempre ‘para o alto e avante!’. Mas devagar e sempre a gente chega lá.

O Quartzito é uma pequena área de camping que cabem cerca de 3 barracas. Agora quase a trilha toda conta com placas de sinalização e conscientização ambiental, feita pelo pessoal da AMPM (Associação de Montanhismo e Proteção da Mantiqueira). Parabéns pela iniciativa.

Passo dos Anjos

Sempre que via fotos da Serra Fina eu sonhava com esse trecho. Estreito, com precipício dos dois lados e visual deslumbrante! Acredita-se que a denominação ‘Serra Fina’ é devido a esse trecho, onde caminhamos na crista fina e longa da Mantiqueira. Infelizmente a neblina baixa não abriu em nenhum momento, e o que eu vi foi apenas nuvens ao meu redor! Aliás, acho que esse trecho é o único de descida nesse primeiro dia.

Passo dos Anjos

Capim Amarelo (2.570 m)

Mais subidas, mais capim elefante, mais lama. Esse é o resumo do que passamos até chegar ao cume do Capim Amarelo. As vezes o céu se abria e podíamos avistar as montanhas. Mas esses momentos eram raros!

Alguns trechos de intensa subida há cordas para nos ajudar a dar impulso no corpo. Mas nada parecido com o trepa pedra da Travessia Marins x Itaguaré. Chegamos ao cume do Capim Amarelo as 15:00 h, 7 horas de caminhada! E ainda faltava um bom trecho, já que iríamos acampar no Maracanã.

Um belo presente que recebemos foi o céu se abrir assim que chegamos ao Capim Amarelo. Pudemos avistar o Passo dos Anjos e outras várias montanhas que compõem esse lindo trecho da Serra da Mantiqueira!

Descer o Capim Amarelo não foi fácil. Muita lama, bambuzal na cara e chão escorregadio. Subir por 7 horas e ter que encarar essa descida depois, não é para os fracos! Por isso, guarde um pouco de energia extra para realizar esse trecho.

Cume do Capim Amarelo

Camping Maracanã

Andamos cerca de mais 2 horas até chegar a esse camping, as 18:00, já no escuro. Ele é bem grande e deve caber cerca de umas 15 barracas pequenas. O Elio e os outros meninos foram buscar água para fazermos nosso jantar. O ponto de água ficava a 400 m dali, descendo a trilha.

Assim que chegaram, fizemos nosso jantar (purê de batata com carne da Vapza) e fomos descansar.

Tem vlog do dia de hoje! Confira:

 

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