Machu Picchu

14 de julho de 2017

Ônibus de Águas Calientes a Machu Picchu

Acordamos às 5 h para pegar os primeiros ônibus que nos levam até a entrada do Parque Machu Picchu e ainda estava muito escuro e frio. Estávamos com o guia Edwin que contratamos com a agência Nature Adventure do Anderson Trekkinho.

O parque abre às 6 h e para aqueles que adquiriram os ingressos no turno da manhã (entenda melhor os turnos do parque no final desse post) podem ficar até ao meio dia. Os ônibus começam a subir para Machu Picchu às 5:30 h e a fila é longa, muito longa! Mas anda rapidinho. O trajeto de ônibus dá cerca de meia hora mais ou menos. A pé, pela trilha, levaria quase duas horas.

Entrando em Machu Picchu

O ônibus para bem na frente da entrada. O parque já estava aberto. Levamos alguns minutos para passar pela entrada por causa do fluxo de pessoas. Incrivelmente encontramos nessa muvuca uma amiga nossa que fez o Trekking do Descobrimento. Mundo pequeno, não é mesmo?

Assim que entramos, subimos um pequeno morro para poder apreciar o nascer do sol. O dia estava sem nuvens no céu e o sol nasceu às 6:30h. Foi um momento muito bonito e mágico ver a montanha se iluminando aos poucos! Acho que foi o momento mais emocionante desse dia.

Muitas pessoas pelo caminho! Conseguir uma foto ou um vídeo sem ninguém ao nosso redor é um trabalho bem difícil. Procure os locais mais altos para poder apreciar o nascer do sol com mais paz e tranquilidade.

Cabana do Guardião

  

Conhecendo as construções sagradas

O guia Edwin foi excelente! Nos contou muitas histórias e dados da civilização Inca e a cada momento eu tinha mais orgulho em estar ali e poder vivenciar essa cultura linda! Muitas das construções são desenhadas e alinhadas estrategicamente.

A Cabana do Guardião é uma das poucas construções que fizeram a reconstrução do telhado mais ou menos parecido com o que havia na época dos Incas. Essa construção fica bem no topo do primeiro morro que se tem ao entrar no parque e foi lá de cima que vimos o sol nascer.

O Templo do Sol é o mais perfeito! Tem a forma redonda e duas janelas perfeitamente posicionadas para receber a luz do sol no início do inverno e do verão. Assim eles sabiam em que época estavam para poder plantar, fazer seus cultos e festas religiosas. Só podemos observar o templo pelos mirantes. É o único templo que tem as pedras perfeitamente encaixadas e alinhadas. Sempre pensei que todas as construções de Machu Picchu eram assim, mas só pessoalmente entendi que apenas os templos sagrados tinham essa perfeição.

Os terraços agrícolas também estão em ótimo estado! Se quiséssemos poderíamos utilizá-los, pois são ainda funcionais. Plantar em um relevo tão acidentado como em Machu Picchu era impossível se não fossem eles. E ter essa ideia de construir os terraços é coisa de gênio!

Terraços agrícolas

A Praça Sagrada é linda! Tem algumas construções ao seu redor: o Templo das 3 Janelas, a Casa do Sacerdote e o Templo Principal. cada um em uma posição geográfica, marcando assim os pontos cardeais em Machu Picchu.

Templo das 3 Janelas

Também passamos pela pedra que servia como indicador dos solstícios e que auxiliavam os Incas a planejarem os ciclos agrícolas, Intihuatana.

A manutenção e recolhimento de água também é um trabalho de engenharia ímpar que o povo Inca fez. Aquadutos estão espalhados por toda a cidade e há desde poços, piscinas e áreas de banho, mas todas vazias. Apenas fizeram a reconstrução de uma fonte de água para mostrar aos visitantes.

Aquadutos

Visitamos também o El Condor, uma área com pedras em forma da ave. Nessa área eram realizadas cerimônias da cultura Inca.

El Condor

Cadê o Elio?

No meio dessa visita às construções Incas, o Elio desapareceu! Fiquei preocupada, pois minha comida e água estavam com ele e eram tantas pessoas por ali que eu jamais iria encontra-lo. Mas o vi ao longe, já na saída do parque. Acenei, pulei, abri os braços e nada dele conseguir me enxergar… Afinal, agora com a nova lei dos turnos, só se pode sair uma vez do parque para ir ao banheiro e retornar. E foi o que ele fez. Meia hora depois, quando eu já tinha perdido as esperanças de reencontrá-lo, ele retorna e fica conosco até o final da visitação. 😉

Descendo de Machu Picchu pela escadaria

Ficamos exatas 3 horas no parque e visitamos praticamente tudo. O guia nos deu a sugestão de voltar em alguma parte para fotografar ou apreciar melhor, mas resolvemos descer à Águas Calientes pela trilha e verificar se a greve dos trens já tinha acabado. Nosso medo era perder as passagens já pagas do trem e ter que voltar a pé até a hidrelétrica (o caminho do dia anterior). Descemos em uma hora, escadaria bem longa, mas no meio da floresta tropical. Deve ser bem cansativo subir por ela.

A saga do trem

Ao chegar em Águas Calientes fomos almoçar e assim que terminamos o almoço o guia Edwin chegou correndo nos falando para irmos depressa até a estação de trem pois ele tinha conseguido antecipar nossa volta. Originalmente nosso trem era para as 19h, mas com a greve, eles cancelaram esse horário e nós teríamos que voltar a pé até a hidrelétrica. Então, com os poucos trens que estavam na ativa, ele conseguiu com seus amigos, nos encaixar em vagas de pessoas ausentes naquele horário. Santo Edwin!

Quase perdi os pulmões na corrida… Já não sou boa atleta e correr numa subida a certa altitude não é fácil não. Por um momento achei que ficaria para trás. Até visualizei o Elio embarcando e eu acenando (só acenando, pois não aguentaria mais correr) atrás do trem implorando para ele parar! Risos! Mas ainda bem que deu tudo certo!

Chegando em Ollataytambo

Nossa parada foi em Ollantaytambo onde haveria uma van para nos pegar e levar até Águas Calientes. Mas como antecipamos nosso horário no trem, tivemos que esperar quase 2 horas até o motorista chegar. Chegamos em Cusco já à noite.

Em Cusco jantamos pela última vez com nossos mais novos amigos (e que turminha boa essa viu?) e fomos descansar, pois no dia seguinte voltaríamos ao Brasil!

Enquanto isso, na Imigração do Peru

Essa viagem é a nossa quinta vez no Peru! Eita país lindo esse sô! Nunca tivemos nenhum problema nem para entrar ou sair do país. Mas dessa vez foi diferente. Ao tentar passar pela Imigração Peruana, o funcionário não achou a minha entrada no sistema e perguntou como eu tinha entrado no país: por terra, por barco ou por avião. Eu disse que tinha vindo no voo ‘tal’ do dia ‘tal’ e nada dele me liberar. Mostrei as passagens de vinda e disse que entrei com meu esposo, que tinha acabado de passar por ali. Ele pediu pro Elio sair dali e me falou para ir no último guichê falar com alguém.

Gelei! Droga viu? Fico vendo aqueles programas de pessoas que ficam presas no país por motivos bestas e já achei que teria que ficar em Lima sozinha! Eu sofro por antecipação, então 5 minutos de espera eu já penso em tudo! Risos! Mas no guichê ele me perguntou de novo como entrei no país, mostrei para ele minhas passagens de vinda e ele me liberou. Disse que provavelmente a pessoa que fez minha entrada no país esqueceu de apertar o enter quando fez meu cadastro. Dica: guardem sempre as passagens de vinda, pois elas me salvaram nessa…

Impressões desse destino

Acho que vocês já perceberam que nós amamos o Peru, não é mesmo? Não consigo achar nenhum defeito nas viagens que estivemos por lá. Tudo é sempre muito intenso, divertido e prazeroso. Pela primeira vez estivemos com guias peruanos que não eram da família do Scheler (de Huaraz e Cordilheira Branca ao norte do Peru) e confesso que tive medo em perder o encanto com alguma experiência negativa em Cusco e Machu Picchu. Mas mais uma vez nos surpreendemos! Os peruanos são muito simpáticos e atenciosos.

Sobre a trilha de Salkantay, achei bem mais estruturada que as trilhas da Cordilheira Branca e Huayhuash no norte do Peru, mas também bem mais cheias. Não vi lixo pelo caminho e nem nos acampamentos e isso me deixou bem feliz. Todos os acampamentos tinham banheiros com fossa. Tem bastante rotas de fuga, caso as pessoas desejem desistir da travessia e ainda opções a cavalo ou carro caso desejem descansar da caminhada.

E Machu Picchu? É linda! Talvez não tanto quanto eu via por ai. Não quero gerar nenhuma polêmica, mas eu esperava mais. Ouvia as pessoas dizerem que sentiam sensações diferentes, arrepiavam-se, choravam. Eu achei normal. Lindas ruínas, cultura extraordinária, construções impecáveis. Assim como em tantos outros sítios que já visitamos tanto no Brasil como em toda América do Sul. Não fique chateado comigo, mas acho que essas pessoas que dizem isso, conhecem pouco da América do Sul. Chavin de Huantar é pré-Inca e tem construções tão bem conservadas quanto Machu Picchu, inclusive com ouro ainda nos locais de visitação. As Ruínas de Shincal, na Argentina tem um valor histórico grandioso também para os Incas e garanto que você nunca ouviu falar. Os Petróglifos Yerbas Buenas no Chile são locais onde os Incas passavam com suas caravanas e ficavam dias descansando por lá e deixaram suas marcas em forma de lindos desenhos nas pedras. Mas como eu sempre digo: ‘a fama faz o lugar’!

Nesse último parágrafo, não tive a intenção, em momento algum, em abafar seus sonhos de conhecer Machu Picchu! Me entenda, quis te mostrar que você deve sim viajar mais e conhecer esses cantinhos da América do Sul que são, no mínimo, apaixonantes! Não fique preso a agências e roteiros travados e repetitivos. Tem um mundo lindo lá fora esperando você o encontrar e te libertar de paradigmas que só nos fazem achar que ali na esquina é o fim da linha! Viaje mais! Porque a gente só preserva aquilo que conhece…

Veja o vlog desse dia em Machu Picchu

6 comentários sobre “Machu Picchu

  1. Inacio Otto Wolfart

    Em 2012 quando fui com uma turma de colegas, por 14 dias no Peru, fizemos a trilha de 15 km e na chegada na Porta do Sol, avistando lá longe Machu Picchu, confesso que também me dessepcionei. Parecia muito menor do que imaginava e sem nada que se destacasse na distância. Mas chegando perto e no dia seguinte andando por meio aquelas construções e gramados verdejantes, me deu uma emoção tão grande que tirei o celular do bolso e quis ligar para minha esposa Rose, mas acabei ligando para minha irmã Rosa que não entendeu minha euforia. Mas para mim aquilo foi uma ponte no tempo, estar numa cidade construída antes de 1500 no meio dos Andes e tirar um Sony/Ericsson do bolso e falar com alguém de Novo Hamburgo a mais de 5000 km de distância. Evolução é isso.

    1. Admin Autor da Postagem

      Wow!
      Que lindo relato!
      Sim, conseguir ligar para alguém de um lugar tão incrível, deve ter sido uma emoção só!
      Obrigada pelo lindo comentário.
      Bjs
      Carla

  2. Ana

    Estive em MP na mesma época e gostaria de fazer uma ressalva. A greve não era dos trens, era dos professores. Os trens pararam por segurança dos passageiros. Também caminhamos da hidrelétrica até Aguas Calientes no dia 13, mas voltamos de trem no dia 14. Viagem inesquecível!!!!! Seus videos são ótimos Carla! Parabéns!

    1. Admin Autor da Postagem

      Oi Ana!
      Sério que era dos Professores?
      Puxa, todos falavam que era dos trens…
      Até o pessoal da Estação falou que eles estavam de greve…
      Vai entender! Hahaha.
      Obrigada pelo carinho.
      Bjs
      Carla

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