Paine Grande ao Italiano e Valle del Francês – Torres del Paine

18 de janeiro de 2017

Saindo de Paine Grande

Acordamos cedinho e depois de uma noite turbulenta, com ventos fortíssimos, a manhã estava tranquila e serena sem nenhuma rajada de vento. Vai entender. Isso é a Patagônia!

A noite, os ventos foram tão fortes, que pensávamos que nossa barraca Nepal Azteq não iria resistir com sua única vareta. Resistiu fortemente! Nosso amigo que estava com uma barraca igual a nossa, disse que a dele apenas amassou um pouco a vareta, mas estava firme e forte!

Fomos ao Refúgio Paine Grande tomar nosso café da manhã, reforçado e delicioso.

Campamento Italiano

Desmontamos o acampamento e pegamos a trilha às 9:45 h. Pelas informações do folder, até o campamento Italiano seriam 7,6 km em 2:30 h. Mas como estava muito frio e chovendo, fomos mais cautelosos e fizemos em 3 horas. Muitas poças de água e lama pelo caminho.

Ao chegarmos no Campamento Italiano (gratuito da CONAF)  fizemos nosso check in na Guarderia do Parque e fomos montar nossa barraca. O camping é bem ruim também, mas melhor que o Campamento Paso. Pelo menos tem 4 banheiros tipo ‘casinha’, mas também nenhuma ducha. A área da cozinha tem 3 paredes de madeira, chão de lama e bem sujo.

Apenas uma pequena mesa e prateleiras nas paredes para usarmos como balcão para cozinhar. Não tem armazém. O local de pegar água é no rio correntoso que desce do Valle del Francês. O acesso à água é ruim e perigoso.

Se você pretende ficar nesse acampamento eu sugiro que pense melhor e siga para o ‘Los Cuernos” (privado da Fantástico Sur) 2:30 h a mais de caminhada, mas com certeza vale a pena. Nesse caso, você pode deixar sua mochila cargueira na frente da Guarderia do Italiano e subir o Valle del Francês só com sua mochila de ataque. É seguro.

Mochilas cargueiras em frente a guarderia Italiano

Depois de montar o acampamento saímos para subir até o Mirador Britânico no Valle del Francês, às 13:30h.

Valle del Francês e Mirador Britânico

O tempo continuava feio: frio e chuva. Muitas pessoas retornando dizendo que naquele dia não valia a pena subir, pois estava tudo fechado. Mas nós somos teimosos e continuamos nossa jornada.

 

A trilha é 100% subida o tempo todo, sem pausa para descanso. Tem mais áreas de florestas que áreas abertas. Num determinado momento a trilha é dentro do córrego, sobre as pedras. Muito lindo.

Chegamos ao Mirador do Francês às 14:45 h e ao olharmos para ‘Los Cuernos’ vimos uma pequena janela de céu azul ao fundo. Decidimos seguir adiante! O Elio disparou na frente e eu fui mais devagar atrás.

Mirador Francês

 

Uma hora e meia depois, eu estava a 30 minutos do Mirador Britânico e o Elio já estava lá, recebemos então um presente das montanhas. INCRIVELMENTE o céu se abriu. Confesso que me emocionei muito e até chorei.

Estava sozinha, no meio do nada, cercada por lindas montanhas, me sentindo cansada e fraca e de repente, aquela incrível imagem dos Cuernos e das Torres del Paine perfeitamente limpas, sem uma nuvem, com seus granitos imponentes e majestosos, ali na minha frente e eu sem ninguém do meu lado para comentar e compartilhar aquele momento mágico!

Mirador Britânico

Estranhamente, o Elio já estava no Mirador Britânico, vendo a mesma imagem que eu via e sentindo a mesma sensação que eu sentia: felicidade pelos ‘deuses da montanha’ permitirem uma janela no céu, e ao mesmo tempo triste por não ter com quem compartilhar esse momento mágico.

Nessas horas que percebemos o quanto somos ‘ligados’ um ao outro. Sensações parecidas ao visualizar algo e ter o desejo que o outro estivesse ali também para sentir esse prazer juntos! Se isso não for amor, não sei mais o que pode ser… <3 <3 <3

Eu parei onde estava e esperei cerca de 5 minutos o Elio voltar. Assim que ele me viu ficou tão feliz por eu estar ‘logo ali pertinho’ e ter visto tudo que ele viu! Nos abraçamos e choramos!

Choramos porque desde 2010 tentávamos fazer o Valle del Francês e as 3 tentativas foram frustadas. Primeiro em 2010, onde o pouco tempo planejado para conhecer o parque, nos limitou ao Grey e às Torres. Depois em 2012, quando houve o grande incêndio no parque e ele fechou para visitas e decidimos passar uns dias em Punta Arenas. E a terceira foi em abril de 2015 quando meu pai esqueceu seus documentos e perdemos o voo para El Calafate, remarcando para Buenos Aires e Bariloche.

Sim! Depois de 4 tentativas, conseguimos! Conhecer o Valle del Francês passou a ser para nós, motivo de provação, daquelas que tudo conjura contra e mesmo assim a gente não desistiu.

Mas tudo tem seu preço… E o nosso foi muito caro! Três dias depois, antes mesmo de chegar em casa, recebemos a notícia que um dos nossos cachorros tinha partido. Toda a euforia e orgulho de ter conquistado algo tão importante para nós, se transformou em nada! Muita dor, muita tristeza e luto. Até agora quando escrevo esse post, 43 dias depois desse episódio, meu coração ainda fica pequeno e apertado ao relembrar.

Última foto com o Peter

Voltamos ao acampamento Italiano, jantamos uma das refeições que trouxemos (carne Vapza, purê de batatas Hikari e molho pronto). Fomos descansar.

Ah! Tem vlog do dia de hoje!

 

2 comentários sobre “Paine Grande ao Italiano e Valle del Francês – Torres del Paine

  1. Ronaldo

    Muito bom. Estive aí em Março de 2016. Um ano atrás. E agora pude voltar através das suas imagens.

    Eu dei um pouco mais de sorte. Peguei tempo bom em todo o circuito. Na noite anterior à subida ao vale Francês choveu um pouco, o dia amanheceu um pouco encoberto, mas logo abriu. Peguei até neve (fraca) na subida para o mirador.

    Cerca de 30 minutos de caminhada do Campamento Italiano, tem um campamento novo e com estrutura muito boa, o Campamento Francês. Meu plano era ficar no Italiano, mas como não tinha reserva e ele estava cheio tive que ir para o Francês. Acabou sendo melhor, eu acho.

    Abraços e parabéns pela aventura e pelas imagens.

    1. Admin Autor da Postagem

      Olá Ronaldo.
      Obrigada pelo carinho!
      Sim, o Campamento Francês está ativo e é muito melhor que o Italiano.
      Infelizmente não achamos nenhum relato na internet nos alertando sobre essa diferença e acabamos reservando o Italiano.
      Mas fica a dica aos demais aventureiros, não é?
      Volte sempre!
      Carla

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