Serra Fina: descendo o Pico dos Três Estados

22 de abril de 2017 (Serra Fina)

Pico dos Três Estados

A noite foi bem ruim. Muita chuva e vento. Nossa barraca guerreira aguentou firme (Azteq Nepal 2). Também, a prova maior dela foi lá no Parque Torres del Paine.

Tomamos o café da manhã dentro da barraca mesmo, pois assim que saíssemos iríamos nos molhar inteiros. Só saímos de dentro da barraca quando estávamos prontos. Desmontamos ela e a guardamos encharcada dentro da mochila. Ainda bem que era o último dia, não iriamos armar ela de novo para passar mais uma noite.

Muito frio, chuva e vento. Não se via absolutamente nada a nossa frente. Começamos a dura descida, super escorregadia e as vezes até perigoso. Mas fomos com calma e devagar. Capim alto, várias bifurcações e cerração baixa, se estivéssemos sem guia, com certeza seria bem difícil a navegação! O total de distância de hoje seria o mais longo de toda a travessia: 10 km.

Pico dos Bandeirantes

Após descer o Pico dos Três Estados, a gente acha que será só descida até o final do dia, mas não… Ainda tem mais esse pico a ser alcançado. Nesse trecho tem até uma escalaminhada. Seria fácil em um dia seco de sol, mas com a chuva que estava, além das mãos quase congelando, ficou um pouco difícil e perigoso. Depois mais uma descida. Ah! Mais ‘bambu na cara’ pelo caminho! Não podia faltar, né?

Alto dos Ivos (2.523 m)

Último top do dia de hoje. Foi nessa hora que o céu se abriu um pouco. Não foi o céu azul e sim a neblina e cerração que ficou um pouco mais alta que nossas cabeças e pudemos enxergar alguns quilômetros ao longe. Avistamos o Itatiaia: Agulhas Negras, Couto, Prateleiras. Lindo!

Até aqui, não paramos nenhuma vez, pois se parássemos não se podia fazer nada, só levando chuva na cara!

Quando entramos na mata, o perigo que nos assustou foi outro: trilha com barro muito escorregadio. Lama intensa! Foi praticamente impossível não cair no chão ou se atolar em algum momento. Um moço que estava no nosso grupo chegou a escorregar e perfurar a palma da mão com um pedaço de raiz. Precisamos retirar a raiz de dentro da carne de sua mão a sangue frio. Não sei se teria condição psicológica estável; o suficiente para continuar a trilha ‘de boa’ se isso tivesse acontecido comigo! Só vivendo para saber o quanto somos fortes!

Descendo o Alto dos Ivos

 

 

 

 

 

Hotel Gotardo e a Trilha das Bromélias

Foram mais 3 horas de descida do Alto dos Ivos até o fim da trilha. Optamos sair pelo Hotel Gotardo que apesar de ser mais longa a caminhada, saímos em um ponto da estrada que tem o lanche com pão, linguiça e queijo mais delicioso do mundo! Também, depois de passar por um desnível acumulado do dia de quase 1.500 m, qualquer sanduíche faria nossa felicidade! 😉

Monte Picu à esquerda: um dos pontos que podemos fazer nossa navegação do último dia, mas que no dia de hoje ficou encoberto.

Final da Travessia da Serra Fina (Foto: Claudio Macedo)

Impressões desse destino:

UAU! Que travessia louca! Na minha opinião, não foi a mais técnica que já fiz (Marins x Itaguaré e Nevado Pisco são bem piores), mas com certeza foi uma das que mais exigiu meu preparo físico e psicológico (tanto quanto a Travessia Huayhuash, uma das travessias mais longas que já fiz – 10 dias). Desnível louco! Em 30 km subimos o desnível equivalente a 3.500 m de altitude. O último dia foi uma provação para todo o grupo: chuva, vento forte, lama e trechos tensos. A presença de um guia conosco foi essencial nesse trecho, já que não víamos um palmo a nossa frente! O medo da Serra Fina com que entrei inicialmente na trilha, tinha passado. E com o passar dos 4 dias ele se transformou em superação e gratidão. E tem sensação melhor que essas?

Tem um pequeno vlog desse dia, já que a chuva me impediu de filmar… Mas vale a pena ver!

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *